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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Bichos...


Já ouvi algumas vezes a seguinte expressão: “Quanto mais conheço os homens, mais gosto do meu cachorro”.

Confesso não ter muita afinidade com animais, embora tenha sido criada com cachorros, pássaros e algumas vezes com coelhos e galinhas.

Tenho muuuuito medo mesmo de cachorros, isto se dá a um trauma de infância: fui mordida por um cachorro policial quando tinha apenas 11 anos e fiquei muito machucada. Portanto, quando vou à casa de alguém que teima em deixar o cachorro solto perto de mim, sempre com a mesma alegação que o bicho é manso, que é só não demonstrar medo que ele não avança, ficou irritadíssima. Não tenho como não demonstrar medo, e cachorro sente isso. Devo exalar algum cheiro pelos poros porque os bichinhos sacam logo que sou uma medrosa, , por menorzinha que seja a criatura ela tenta me intimidar, e pior que consegue. Portanto, não me coloquem nessa situação difícil. 


Ratos também me deixam em pânico!!! Um parêntese - outro dia estava na estação do Estácio e senti um ventinho no pé. Quando olhei para o chão, avistei milhares de camundongos... ok, algumas centenas, à minha volta. Saí correndo em disparada, quase fui atropelada. Parei numa farmácia e comprei álcool e algodão, pois um dos pequeninos havia passado por cima do meu pé. Nunca mais desci na estação do Estácio.  Contando isso outro dia para um dos meus cunhados, ele disse: - ratinho, Sandra! Olha o seu tamanho e olha o dele! E eu respondi: - Se fosse boa coisa, elefante, com aquele tamanho todo não teria medo. Rodrigão, meu filho mais velho, disse: - Argumento interessante, tio. Procede. 

Mesmo assim, com tantos medos, de maneira alguma consigo entender quem goste de maltratar animais. Não aguento ver nenhum bichinho sofrendo. Quando tentam matar alguma barata perto de mim, e a pancada mal dada deixa a mesma agonizando, imploro para acabarem com o sofrimento da dita cuja. E olha que barata, vamos combinar, ninguém gosta. Voltando ao assunto, por não gostar de ver animais sofrendo, sou até adepta de algumas campanhas que tentam corrigir esses distúrbios humanos.

Talvez por isso mesmo, pelo trauma, não entenda muito bem essa relação amorosa entre um homem e seu cão. Embora respeite. Uma vez expressei essa minha falta de afinidade para um grupo. Quase fui apedrejada. Tacharam-me de insensível, não confiável, além de não ser uma pessoa do bem. Segundo eles, todo mundo devia desconfiar de quem não gosta de animais. Tentei explicar que não ter afinidade não significa não gostar. Acho bonitinho, mas não quero cuidar de um. A pessoa que tomou a frente da discussão era meio xiita, e o resto do grupo o apoiou totalmente. Eu já desconfiava que o grupo não gostava muito de mim, mas não sabia que me detestavam tanto. Tive uma crise existencial na época. 

Há muito tempo atrás, vi um comercial interessante. Era uma foto em preto e banco, com uma criança deitada no chão de uma calçada, toda sujinha, parecendo doente. Abaixo da foto vinha a seguinte frase: “Preserve, animal em extinção”. Era um protesto em relação à quantidade de dinheiro gasto na preservação de bichos em extinção. Na época, o investimento em torno do mico leão dourado deu o que falar. Um assunto mal digerido por mim.

Outra música que também causou bastante impacto foi - o Rock da cachorra - de Eduardo Dusek: “Troque seu cachorro por uma criança pobre”.  Lembro que adorei o protesto, pois vejo muitas pessoas preocupadas em recolher bichinhos na rua, por serem indefesos, e, essas mesmas pessoas passarem ao largo por crianças, também com fome e jogadas pelas esquinas, não menos indefesas. Polêmico, eu sei.

Final da semana passada ouvi uma das frases mais duras sobre este assunto. Achei até ter escutado errado. Tentei amenizar trocando a palavra morrendo por sofrendo.  Mas na verdade, o que ouvi foi o seguinte: - “Prefiro ver criança morrendo a um bichinho morrendo”. 

Estou meditando sobre isso até agora, o que significa que nem sei como terminar este post.

Quando tiver tirando todas as minhas conclusões, volto ao assunto.  Ou não. Talvez este desabafo já seja suficiente para acalmar meu espírito. Não teria tido o impacto que teve se viesse de alguém que eu não tivesse tanta consideração. Mas, como não é esse o caso, e, por isso mesmo, que tá doendo, tá. 

Em Tempo: Rê, você tem cachorro? Contando as horas para o almoço de sábado.

4 comentários:

Carlos Alexandre disse...

O que acho interessante nos cachorros é o jeito descomplicado como vivem a vida: não ruminam coisas do passado e nem se preocupam com o que virá no futuro. Vivem o aqui e agora, com praticamente nenhum desejo, só necessidades reais. Já viram a cara de um cachorro na janela de um automovél, com o vento soprando suas orelhas ? É isso. No livro "Não faça tempestade em copo d´água", em certo momento, o autor diz que estar preocupado com alguma coisa é culturalmente visto como uma atitude inteligente e responsável. Então, se você está com cara de cachorro, despreocupado, fique sabendo que é forte candidato a ser taxado de irresponsável. Eu, particularmente, gosto dos bichanos. Sou do tipo que puxa o rabo deles, vira de barriga para cima, dá gravata, aperta a patinha e o focinho. Tudo com muito carinho e cuidado! Meu pai também adorava os dogs.

soumenina disse...

Esse é realmente um assunto delicado. Eu, por exemplo, tenho uma gata que é mega apegada a mim e eu sou louca por ela. Mas sinceramente, não entendo alguém que não tenha piedade de pessoas (em especial crianças e idosos).
Muitas vezes me pergunto o por que do ser humano ser tão perverso...

Carlos Alexandre disse...

"Quanto mais conheço os homens, mais gosto do meu cachorro". A meu ver, uma das razões para isso é porque, por um lado, cachorros são seres de fácil interação, sem as necessidades e desejos de seres humanos. Ou, pelo menos, se as têm, as guardam para si mesmos. Por outro lado, nós, seres humanos, temos um repertório imenso de demandas sobre o mundo de coisas e pessoas que nos cercam. Talvez por isso que alguns de nós prefiram cachorros a pessoas no que tange à interação social (ou animal).

Fabíola disse...

Amiga, desculpa, não tem como prender minha neném Susy quando vc vem aqui em casa!!! hauhauhau...
Ela não morde... juro!! :)
Esse assunto é super delicado, ja conversamos sobre isso... e mais do que nunca a frase `Só quem tem bichinho é que entende esse amor` é super bem colocada. Claro que guardadas as devidas proporçoes entre bichos e gente, mesmo achando que ambos merecem nosso respeito e cuidado.

Uma vez escrevi sobre isso, esse amor q muita gente nao entende, mas q sinto pela Susy, minha nenem!!! ;)) Qualquer hora dessas te mostro.

Bjss,
Fabiola

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