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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fui de van!!! Que azar!!!

olharbeheca.blogspot.com

Costumo pegar van para ir ao trabalho no Alto da Boa Vista. O ônibus, além de demorar muito a passar, leva o dobro de tempo que a van, isto porque o motor não aguenta a subida, e vai a uma velocidade de no máximo 20 por hora, e ainda tem o fato do motorista fazer também o papel de cobrador. 

Eu trabalho no Alto somente às terças e quintas e pego a van mais ou menos às 6 horas da manhã, horário muito tranquilo. Só que hoje, por estar em horário especial, recuperação nas escolas, peguei um pouco mais tarde, às 8 horas da manhã.

Cheguei ao ponto e encontrei um aglomerado de gente. Fiquei esperando e torcendo para que a condução, quando chegasse, parasse perto de mim. Quando a dita cuja chegou, fui me posicionando para entrar, mas parei porque ouvi gritos ao meu redor. Eram as pessoas aglomeradas que garantiram ter uma fila que eu não estava respeitando. Fiquei estatelada com tanto tumulto e sentindo-me uma infratora e tanto. Expliquei que não sabia, mas não adiantou. Tentei continuar com minhas alegações afirmando que não tinha conhecimento de filas ali. Mais reclamações e insultos. Resolvi me calar, não tinha outro jeito mesmo, e fiquei para a próxima van.

Quando a próxima chegou, achei ser a primeira da fila, mas não existia mais fila e sim um montão de gente me empurrando. Perguntei: - E a fila? Um homem muito esquisito, com o triplo do meu tamanho respondeu: - Que fila Dona? Aqui não é ponto final. Claro que fiquei confusa, aliás, com muito mais raiva que confusa, estava sendo insultada pela segunda vez. Tive a impressão que qualquer que fosse minha postura, fila ou não fila, eu seria insultada. Mais um daqueles dias que não se deveria sair da cama.

Consegui entrar e sentei na beirada, como sempre faço, porque desço no meio do caminho e a van continua o trajeto até a Passarela da Barra. O cobrador ficou muito perto de mim, em pé, coisa que na van das 6 horas não acontece, pois sobra lugar. O transporte coletivo lotou e eu achei  assim iria direto ao meu destino. Hum... puro engano meu. No próximo ponto, entrou uma senhora com uma criança e foram lá para trás. A menina sentou no colo de um desconhecido, o que achei um absurdo. Como é que uma mãe coloca uma filha de mais ou menos 6 anos no colo de um estranho, ainda mais sendo homem? Ofereci meu lugar e ela recusou, dizendo que já ia descer.

No próximo ponto entraram mais 3 pessoas. Todas ficaram espremidas, em pé. Sinceramente não cabia mais ninguém, a lotação estava bem acima do previsto, mas, para minha surpresa, entraram ainda mais duas pessoas.  Ao todo, em pé, ou melhor, curvados, estavam nada mais nada menos que 6 pessoas, contando com o cobrador, que a esta altura já estava quase no meu lugar, de tão em cima de mim.

A menina ao meu lado, agindo feito que nada estivesse acontecendo, colocou-se a cantar uma música que estava tocando no seu mp3 ou algo parecido, que só ela ouvia, e nós suportávamos sua desafinação. O motorista ouvia em alto e bom som uma rádio dessas bem muquiranas que tocava um funk de letra profana e ainda exibia comentários esdrúxulos do locutor. Se não bastasse isso tudo, o cobrador resolveu conversar com um dos passageiros e, por não poder se mexer, ficou quase respiração boca a boca comigo, que tive que suportar o seu hálito violento, que acusava uma falta de componentes de limpeza bucal faz tempo.

Avisei ao cobrador que iria ficar no ponto em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros, ele disse que ok. Chegando mais perto, avisei de novo, ele fez uma cara de poucos amigos, tipo - já sei. Não deu outra, chegou o meu ponto e o motorista passou direto. Então falei em voz alta: - pretendia  ficar no ”Bombeiro”! Aí o cobrador gritou para o motorista:  - Pô velho, não ouviu a Dona dizer que ia ficar no “Bombero”? Eaê, foi mal. Quando for assim dá um grito antes de chegar. Não respondi nada, claro. Tinha o que responder? Desci bem mais à frente e tive que voltar pela ladeira. 

 Após sair do enlatado, agradeci a Deus por não ter acontecido nada pior. Tinha horas que parecia que a van iria virar, mas cheguei sã e salva. Mas nem bem terminei meu agradecimento e tive uma surpresa: o tal ônibus lento, agora no embalo da descida, passou por uma poça de água imunda e respingou lama no meu vestido. Disse pra mim mesma: - Basta! Vou voltar para casa. Mas, como papai do céu sempre me socorre quando não aguento mais, passou uma amiga de carro e me ofereceu carona. Ela não entendeu por que eu estava do outro lado da serra e eu também não quis comentar. 

Cheguei à escola e fui direto limpar meu vestido. Que manhã! Mas tudo já havia passado. Os únicos que saíram lucrando com a minha estranha manhã foram meus alunos que, apesar de tudo, não ficaram sem meus  ensinamentos. É, mas pena que não deram valor a isso, pois não ligaram a mínima para minha aula. 

Ainda bem que amanhã será um novo dia sem van e com a linda visão da árvore da Lagoa. Ôba!!! Adoro a Lagoa, adoro árvores de Natal, adoro Copacabana e o cheiro do mar. Adoro mais ainda a esperança de um novo amanhã.

5 comentários:

Carlos Alexandre disse...

O cobrador e o motorista da van provavelmente estavam em fase de readaptação, já que eram originários de outra atividade exercida no morro do alemão, conforme comprovado em suas respectivas carteiras de trabalho, pois, afinal de contas, o crime é ou não é organizado ? Além do mais, nada que um curso de imersão no SENAC não resolva.

Agora falando sério (...eu queria não cantar - Chico Buarque), uma vez fui dar uma aula de Aikidô na Ilha do Governador e a Sandrine foi a reboque (era namorada na época). Fomos no meu carro, que, para felicidade geral da nação, deu pau na volta, lá na Ilha mesmo. Tivemos que entrar dentro de uma daquelas oficinas "clean" e a Sandrine, como não poderia deixar de ser, preferiu ficar do lado de fora, na porta. Eu lá dentro, acompanhando o mechânico, comecei a perceber uma certa gritaria do lado de fora e fui ver o que estava se passando. Imaginem !! A Sandrine encostada na parede, com seu ar de gatinha, cabelos de ouro, olhos como o céu, pele de neve, e os cobradores das vans (em frente à oficina havia um ponto de van/ônibus), se esgoelando como nunca tinham feito antes: Aê Lôra, vai para o centro ? Entra aqui Lôra, tem vaga! Ô minha Lôra, vamos para Madureira! E por aí vai. Deu para imaginar a situação, não é ?

Sandrine, minha Lôra, te amo!!

sandrine disse...

Esse meu marido lembra de cada coisa...
Hehehehe... tb te amo.

®ê Werneck disse...

Perrengue é pouco pra essa história ... Putz !

Pelo o que o Alexandre contou, teu histórico com esse meio de transporte não é dos melhores ! Dei gargalhada, mas imagino a sua expressão !

Bjsssss

Anônimo disse...

Kkkkkkkk... Perrengue foi pouco!!!

Joice Roddrigues. disse...

Sandrine, os transportes sempre me rendem boas histórias! Não tenho afinidade alguma com eles!

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